terça-feira, 17 de julho de 2012

Esplendor II Temporada


CAPÍTULO DE ESPLENDOR
RESISTINDO BRAVAMENTE
II TEMPORADA


(***)
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NARRAÇÃO: Damon Salvatore

Arrumei um colchonete no chão ao lado da cama. Forrei com um edredom grosso para ficar mais confortável — não que eu realmente precisasse daquele conforto. Elena dormiria na cama e eu no chão. Era mais seguro para ela. Ela contestaria e eu já podia imaginar as mil chantagens que ela faria para dormir comigo na cama, mas eu estava disposto a não ceder. Ou talvez não tão disposto assim.
Eram tantos desejos juntos. Todos eles haviam voltado como uma grande explosão nuclear. O desejo de protegê-la, o desejo por seu sangue... Pelo seu corpo. Eu não estava conseguindo administrar tudo corretamente. Meu corpo gritava de desejo por ela e hoje especialmente estava sendo doloroso me segurar. A sede abrasadora misturada com o desejo carnal tornava tudo doloroso no sentido literal. A loucura estava descendo para a cabeça... E descendo porque não era a minha cabeça de cima.
Respirei fundo uma vez. Duas vezes. Três vezes. Inferno! Quem foi que disse que respirar fundo acalma alguma coisa? Fiquei pensando em formas de me distrair. Não consegui pensar em nada. Fui para o quarto esperar Elena sair do banheiro. Ela estava no banho. Ouvia seu coração batendo num ritmo calmo. Ouvia as gotas do chuveiro entrando em contato com seu corpo e os barulhos que ela fazia enquanto estava lá dentro.
Quando ela saiu parecia aquelas garotas que posam para fotos com roupas finas e molhadas. Era extremamente sexy. Seu rosto transmitia uma serenidade sem igual. Vi o bico do seu seio eriçado através da camisa fina e molhada e uma parte de mim que deveria estar dormindo acordou violentamente. Ofeguei. Então eu estava morto, mas não tão morto assim. Definitivamente, não mesmo. Ela me olhou com ares de desculpa. Sacudi a cabeça freneticamente tentando afastar a vontade de agarrá-la, jogá-la contra a parede mais próxima e possuí-la completamente naquele exato instante.
— Vem Elena. — estendi minhas mãos e ela sorriu segurando-me. Ela parecia a todo custo querer ignorar a frieza e nova textura de minha pele. Guiei-a até a cama. Como supus, ela olhou para mim com uma expressão totalmente mortificada de desaprovação.
— Você não vai dormir no chão Damon Salvatore!      
— Não é no chão. É no colchão! — brinquei.
— Rá. Não tem a mínima graça.
Optei pela sinceridade.
— Você sabe Elena... Que não vai dar certo. Eu não me sinto seguro para você. E eu... Bom... Eu, nossa eu não costumo me atrapalhar tanto com as palavras, mas a verdade é que eu estou num dia extremamente difícil. Meu controle está precário, ou melhor, inexistente e dormir na mesma cama com você estragaria tudo. Você não pode, lembra? E as vezes ficar próximo a você dói...
Ela franziu o cenho, mas não conseguiu assimilar a verdade em minhas palavras. Ficar perto dela doía fisicamente, como se eu estivesse engolindo fogo. Eu tentava me manter sem respirar o tempo todo, só o fazendo quando era estritamente necessário.
— Eu confio em você. — ela falou com os olhos cheios de uma confiança que eu sabia que não merecia.
— Não confie hoje. Não sei qual é a parte do meu corpo que está falando mais alto, mas com certeza não é a parte que me faz raciocinar. — alertei. A sede machucava. A fome gritava. O corpo desejava-a.
— Damon. Eu confio em você.  Eu confio plenamente. Eu sei que você quer seguro e que quer me proteger. Eu entendo isso. Não aceito, mas entendo. Mas se tem uma coisa que eu aprendi com você é que você fará a coisa certa. E você vai fazer a coisa certa. Você sempre faz.
O que? Mais um discurso maduro saindo da boca de Elena? Que parte eu perdi? Sem birra? Sem bater pé. Sem gritos e sem palavrões?
— Porque você está me olhando assim? — ela perguntou apontando o dedo indicador para a minha cara surpresa.
— Quem é você e que diabos fez com a minha esposa? — perguntei tentando fazer piada. Eu precisava deixar as coisas leves.
Ela fechou os dois olhos em fendas minúsculas me lançando um olhar mortal. Seus olhos enegreceram pela raiva. Ah bom, ufa, minha Elena havia reaparecido.
— Vá PRA —
— Êêêpaaa! Sem palavrões!
—Você nem me deixou xingar! — ela colocou as duas mãos na cintura em desaprovação.
— É feio mocinha.
Ela não falou nada. Sacudiu os ombros como se dissesse: “por mim” e se jogou na cama.
— Se quer dormir no chão o problema é seu. Tomara que eu morra de frio de noite. Vou ficar mais congelada que o Jack do Titanic. Vou virar picolé de Elena. E se o bicho papão vier me pegar eu juro que faço ele voltar aqui e te assombrar todas as noites.
Rimos juntos. Só ela conseguia fazer um discurso extremamente maduro e logo em seguida falar algo tão engraçado e infantil.
A verdade era que eu não poderia mais aquecê-la. Ela quem me aqueceria. Possivelmente a única coisa mais perigosa num raio de cem quilômetros realmente era eu.
Ela havia me falado sobre confiança. Eu estava convencido. Deitei ao seu lado e aquela era a primeira noite juntos em minha não-vida. Abracei-a e ela se encaixou gostosamente ao meu corpo. Tranquei a mandíbula com força suficiente para pulverizar granito e prendi a respiração. Seu calor vinha em ondas escaldantes me deixando tonto, mas eu tinha que me acostumar com aquela sensação. Meu amor por ela falava mais alto, bem mais alto.  Rapidamente ela dormiu de conchinha e era a melhor sensação do mundo tê-la em meus braços — tirando a fome. Eu tinha certeza que ela era quem eu amava, não havia outra, nunca haveria, pois ela era a possuidora do meu coração que não batia mais, a dona do meu amor.
— Independente do que eu tenha me tornado eu vou te fazer muito feliz. — sussurrei impulsivamente em seu ouvido quando achei que ela estava dormindo. Seu coração batia calmamente num ritmo constante.
— Humm... Você já me faz a garota mais feliz do mundo.
Ela não estava dormindo ainda, eu sorri com sua fala arrastada por causa do sono.
— Boa noite Elena. Eu te amo — ela não tinha noção da dimensão dos meus sentimentos.
— Boa noite Damon... Sonha comigo? — ela não sabia e nem saberia que eu não podia mais dormir. Nem se eu quisesse. Desde a transformação eu não sentira uma única gota de sono.
— Acordado ou dormindo? — perguntei tentando mudar o rumo das coisas e deixar tudo mais tranqüilo sem deixar de ser parcialmente verdadeiro.
— Pode ser os dois. — ela fez uma pequena pausa e completou. — Você sonha acordado comigo?
— Todo o tempo.
— Que bom, pensei que isso só acontecia comigo.
— Bom senhora Salvatore, agora que você sabe que sonhar acordado é uma atividade mútua, vamos dormir. Teremos um longo dia amanhã. Você tem que estar descansada.
— Por quê? Amanhã não tenho nada pra fazer.
—Tem sim.
— O que?
— Acredito que irá chover amanhã. — na verdade já estava chuviscando. Achei impressionante que ela não ouvisse as gotas chocando-se contra o chão do lado de fora porque o som era alto para mim. — Vamos à praia.
— Hum, parece bom. Praia na chuva. Uhull! É tipo, bem radical, ainda mais sabendo que a praia fica exatamente aqui na frente. — ela falou sarcástica.
Eu ri.
Depositei um beijo carinhoso em seus cabelos e abracei o mais próximo que o nosso corpo permitia. Deixei a sede infernal me queimar. Ela adormeceu assim nos meus braços. Milhões de pensamentos rodeavam minha mente naquele instante. Um dia eu mataria Corin por ter nos imposto aquele destino. Um dia eu teria o prazer de mutilá-lo e torturá-lo lentamente até que a sua maldita vida se esvaísse completamente.
Naquele momento eu só tinha uma certeza. Eu provavelmente era o vampiro mais feliz do mundo e Elena era feita para mim, perfeitamente feita para mim. Minha Elena. Minha vida. Meu grande, grande amor.
(***)
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