sexta-feira, 29 de junho de 2012



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Acessem Esplendor!

Eu estava deitada em minha cama na mesma posição em que havia dormido. Estava de costas para cama, barriga para cima e os lençóis não me cobriam. Onde Damon estava? Apalpei o seu espaço na grande cama de casal. Estava vazio. Eu tinha consciência de tudo ao meu redor e era desesperador não saber se era sonho ou se era real. Sentia minha respiração pesada. Sentia meu corpo, meus braços e pernas, mas não conseguia movê-los. Tinha noção do sol descendo no crepúsculo. Era fim de tarde. Lembrei. Damon estava trabalhando. As cores de fim de tarde invadiam o meu quarto pela minha enorme porta/janela de vidro liso e coloria a parede branca. Eu ouvia o mar lá fora. Vozes. Um novo vizinho passando, talvez? Eu tentei mexer meu corpo, mas não conseguia.
Eu vi - e tinha certeza de ser real -, alguém entrando pela minha janela. Alguns poucos raios de luz ainda invadiam o quarto. Eu não vi o seu rosto, mas percebi que ele brilhava. Sim, tinha certeza, era um sonho. Eu estava vendo um anjo, um anjo de luz e ele se aproximava de mim exalando um cheiro tão doce que me fazia sentir o sabor na ponta da língua. Eu queria enxergar o rosto do anjo, mas não conseguia decifrar suas formas. Era absurdamente lindo e inumanamente perfeito. Senti uma corrente de medo traspassar meu corpo. Mesmo sonhando senti os pêlos do meu corpo eriçarem-se. O anjo se aproximava deliberadamente devagar em minha direção. Tão devagar que pareciam passos ensaiados, como se aquele movimento houvesse sido estudado e treinado repetidas vezes. Eu queria acordar e tocá-lo, mas meu corpo ainda não me obedecia. Quando ele estava perto o suficiente para me tocar a escuridão me tomou e não me lembro de mais nada a não ser a dor excruciante que me queimava como se eu tivesse sido lançada numa fornalha ardente. Eu queria gritar, me debater, fazer algo que fizesse a minha dor ser aliviada, mas após alguns minutos que pareceram longos anos a dor foi cessando aos poucos até que senti meu corpo - mesmo em sonhos – desfalecer.
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